O grupo de teatro infantil-juvenil “Boca de Cena levou à cena, nos passados dias 7 e 8 de abril, com lotação esgotada, o espetáculo “Pessoas”, que se traduziu num tributo a Fernando Pessoa, um dos maiores vultos da literatura e uma referência ímpar da cultura portuguesa.

“Pessoas” é um ato supremo de querer viver, tanto que se vivem várias vidas no espaço temporal de uma vida só. Este foi um dos temas abordado no espetáculo, focando os diversos heterónimos e semi-heterónimos de Pessoa, de Chevalier de Pas a Ricardo Reis, passando por Alberto Caeiro, Álvaro de Campos, Bernardo Soares, Alexander Search, Ibis e Maria José. Estima-se que Fernando Pessoa tenha criado cerca de 127 heterónimos. Os pequenos atores do “Boca de Cena” estiveram irrepreensíveis e interpretaram com muito profissionalismo os diversos personagens que integravam a peça, contando a(s) vida(s) de Fernando Pessoa. O Amor foi tema amplamente abordado, na relação de Ofélia com Fernando Pessoa, através da correspondência existente entre ambos.

O texto da peça, da autoria de Hugo Direito Dias, Diretor Artístico do “Boca de Cena”, e Francisco Marques, é uma antologia de poemas das pessoas de Pessoa, através do qual atores e público puderam fazer uma autêntica aprendizagem da sua vida e obra. Quem teve a oportunidade de assistir a este espetáculo saiu da sala de alma cheia com a riqueza literária do texto e a superior interpretação dos jovens atores. “Pessoas” é, efetivamente, um espetáculo de excelência do ponto de vista pedagógico para quem quiser conhecer melhor a obra de Fernando Pessoa.

Criado pela Câmara Municipal no âmbito do Projeto “CREARTE – Crescimento da Arte Teatral em Esposende”, o “Boca de Cena” visa, para além da vertente de aprendizagem das artes teatrais, o desenvolvimento de muitas outras competências nas crianças e jovens que integram o grupo, como o conhecimento da História e tradições locais, o envolvimento da família e comunidade, a interação, a responsabilidade, a disciplina, a exploração pedagógica de temáticas, conteúdos e conceitos, como foi, neste caso, Fernando Pessoa.

Ao finalizar o espetáculo, interveio a vereadora da Educação da Educação e Cultura, Angélica Cruz, enaltecendo o espetáculo apresentado, considerando-o de extraordinária qualidade, muito pedagógico e “digno de ser apresentado em qualquer sala de espetáculos do nosso país”.

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